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01/10/2020
Como os serviços de saúde do RS se estruturaram para o enfrentamento à Covid-19

Por: Karen Vidaleti

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Bate-papo com profissionais atuantes na rede pública e privada de Passo Fundo e Porto Alegre marcou aula magna das graduações em Enfermagem

A estruturação dos serviços de saúde para o enfrentamento à Covid-19 foi o tema norteador da aula magna dos cursos de Graduação em Enfermagem da IMED, na noite desta quinta-feira (01). Em um bate-papo online, a instituição reuniu profissionais atuantes em Passo Fundo e Porto Alegre, que acompanharam e vivenciaram a fundo os bastidores da área de saúde, desde a criação dos primeiros protocolos de manejo para o combate à pandemia.

 

Rede de Saúde de Passo Fundo

Coordenadora do setor de Recuperação à Saúde da Secretaria de Saúde de Passo Fundo, a enfermeira Caroline Gosh compartilhou os desafios enfrentados na rede pública. O município montou seu plano de contingência, seguindo orientações dos órgãos estaduais e federais, e teve de lidar com as frequentes mudanças que podem ocorrer durante uma pandemia. Uma unidade de atendimento de referência foi criada no Cais Petrópolis, oferecendo atendimento 24 horas, nos sete dias da semana. Desde a metade de março, mais de 1 mil atendimentos já foram realizados no local, que proporciona triagem e consultas médicas.

“O desafio da saúde coletiva é conciliar uma pandemia, mas também buscar o atendimento da população das doenças crônicas, do puerpério, da acolhida. Nós nos estabilizamos nos serviços de pandemia, erramos, aprendemos e, hoje, o serviço está consolidado. Agora, precisamos aprender a conviver com a pandemia e os desafios da saúde coletiva”, avaliou Caroline.

 

Hospital Restinga Extremo-Sul

A enfermeira e docente Eva Joseane trouxe a experiência do Hospital Restinga e Extremo-Sul, de Porto Alegre, onde é responsável pelo programa de educação permanente. Mesmo não sendo referência para o pacientes da doença, o hospital articulou desde cedo a estruturação do atendimento, com a formação de um comitê de crise, reunindo lideranças de todas as suas áreas. Eva apontou, entre os desafios, a busca pelo embasamento científico frente a uma doença desconhecida. 

Entre as ações que foram conduzidas, estiveram o planejamento de recursos, a conscientização quanto ao uso de EPIs a fim de evitar a escassez, a estruturação da área física de atendimento, a redução da circulação e criação de um canal de comunicação para divulgação de protocolos e alinhamento de rotinas, além da capacitação de profissionais para o momento em que precisassem atuar na área Covid. Até 28 de setembro, o hospital contabilizava 138 casos confirmados e 4.712 atendimentos na tenda destinada à casos suspeitos de Covid-19. 

“Se existe algo de bom, que a gente pode tirar disso tudo, é a nossa reinvenção como profissional de enfermagem, a valorização da profissão e o empenho diferenciado dos profissionais frente à pandemia”, considerou a enfermeira.

 

Hospital de Clínicas de Passo Fundo

Também enfermeira e coordenadora dos Serviços de Enfermagem do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, Janete Rodegheri apresentou medidas adotadas pela instituição no período da pandemia, que dividiu em quatro ondas. O primeira delas exigiu otimizar recursos e equipamentos, modificar a estrutura com agilidade (a UTI da ala Covid ficou pronta em duas semanas), buscar conhecimento e incorporar tecnologias. Também marcaram a rotina do hospital nessa fase a frequente modificação de notas técnicas, os processos de monitoramento e atualização de indicadores. Segundo ela, manter a qualidade e a segurança dos serviços, reduzir e controlar os fluxos de acesso, estruturar e dimensionar os recursos humanos, além de, claro, o controle das emoções foram desafios enfrentados.

Uma segunda onda foi marcada pela evasão de pacientes, pelo medo, pelas incertezas e pela busca por EPIs. Nesse ponto, ela lembra a mobilização da comunidade e das instituições de ensino, como a IMED, que apostaram na criatividade e colaboração para ajudar os profissionais de saúde a superar a situação. Na terceira onda, ela destacou, entre outros fatores, os impactos financeiros, a redução na ocupação de pacientes, o impacto na rentabilidade das organizações, o aumento no custo dos materiais e medicações.

A quarta onda, conforme Janete, representa o momento atual. “Nós, em Passo Fundo, não pensamos ainda em serviços de reabilitação para esses pacientes. Como nos refazer e nos reinventar? Que heranças irão ficar para a saúde? O conceito de saúde é muito amplo, será que o que está descrito na nossa lei vai dar conta? Nossa segurança emocional, onde está? Mas também nós temos muitas oportunidades pela frente. Os profissionais da saúde têm tido atuações brilhantes, mas ainda temos muitas oportunidades de nos reinventar.”

 

Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre

A enfermeira e responsável pelos Processos de Melhoria Contínua e Acreditação da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Jaqueline Cardoso, detalhou a experiência do hospital que é considerado o mais antigo do Rio Grande do Sul. A instituição privada de caráter filantrópico envolveu cerca de 7 mil funcionários e 2.700 médicos no enfrentamento da pandemia. 

Para isso, precisou lidar com mudanças no cenário econômico da instituição, revisão do planejamento orçamentário, redução de custos, reformulações pontuais no quadro funcional, captação de recursos externos e ampliação das fases de leitos covid-19. Ainda foi conduzida uma reestruturação na gestão de pessoas, tanto na educação, como na proteção dos profissionais e na segurança psicológica.

Durante o período, as áreas de qualidade e gestão de risco trabalharam junto ao comitê de crise na construção de protocolos e revisão de fluxos de atendimento, bem como em orientações para retomada com segurança. Aliado a isso, foram reforçados os treinamentos e comunicação interna, além de ações como a reformulação de alguns espaços para trazer mais conforto aos profissionais de saúde.

“‘Resiliência não é apenas demonstração de força, mas, principalmente, a convicção de que as adversidades serão superadas’ (autor desconhecido). Então, acho que é isso que esperamos, superar tudo isso e sairmos pessoas melhores, com processos melhorados e uma assistência muito melhor”, resumiu.

 

A mediação do bate-papo foi conduzida pelos Coordenadores dos Cursos de Enfermagem dos campi Passo Fundo e Porto Alegre, Andressa Rebequi e Thiago Silva, respectivamente.

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