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08/04/2019
Associados da APACE testam maquetes táteis

Por: Paula Steffenon

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Instrumentos elaborados por  grupo de pesquisa da IMED poderão servir de sinalização para orientação e localização nos espaços

“Eu estou realizada, ganhei o meu dia, a minha semana, o meu mês ”, comentou Hilda Àvila de Oliveira, associada da APACE, tateando cada detalhe de uma maquete do quarteirão em que está instalada a IMED. O objeto, feito na impressora 3D, foi apresentado na última semana para os associados da Associação Passofundense de Cegos (APACE), juntamente com outra maquete de uma sala com mobiliário, elaborado pelo grupo de pesquisa denominado Núcleo de Inovação e Tecnologia em Arquitetura e Urbanismo (NITAU/IMED).

Liderado pela Professora Dra. Andrea Quadrado Mussi, o NITAU/IMED é formado pelas mestrandas do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Arquitetura e Urbanismo (PPGARQ/IMED), Luísa Batista de Oliveira Silva e Alana Arena Schneider e pela bolsista do Programa de Iniciação Tecnológica e Inovação (PITI/IMED), Sara Rossato de Cesaro. O grupo busca formas de facilitar e orientar a acessibilidade de pessoas com deficiência visual nos mais variados espaços e para isso, conta com uma parceria com a APACE, desde 2013. “Essa parceria tem nos ajudado a compreender como eles se deslocam, quais são suas preferências, que elementos eles precisam e, a partir disso, incorporamos essa expertise do usuário propriamente dito, nas propostas de pesquisas, de projetos e nas melhorias, afim de que consigamos conferir autonomia para eles”, explica Andrea.

Dessa forma o grupo elaborou as maquetes táteis com intuito de compreender de que forma poderão auxiliá-los na percepção dos espaços. Para isso, três associados da APACE participaram da atividade que incluiu a apresentação da maquete, passeio acompanhado no quarteirão da IMED e posteriormente atividade na sala projetada na maquete. “Quisemos colocar essa experiência para eles terem o comparativo das diferentes alturas de prédio que o quarteirão possui, dando destaque para orientação deles nas partes de escalas menores que seriam os canteiros, todos aqueles elementos que tem no nível do passeio público, inclusive as muretas e fachadas contínuas, para eles perceberem o que são essas guias de balizamento. Isso antes de fazerem o passeio, como se conhecessem o espaço previamente com o auxílio da maquete. Então, ao mesmo tempo que ajuda na parte de locomoção com mais segurança, também tínhamos o objetivo de testar a qualidade da maquete. Até que ponto é segura para tatearem, até que ponto que ela é clara, se ela passa uma percepção de como realmente o espaço é, e até que ponto isso contribui para eles se deslocarem, fazendo com que os usuários tateiem primeiro a maquete e depois se desloquem”, relata.

A professora ressalta que a ideia é de que essas maquetes sejam ferramentas de compreensão   espacial de onde vão circular. No caso da maquete da sala com mobiliário, Andrea destaca que poderia servir como sinalização a mais, pois já há obrigatoriedade de sinalização com letras e números em relevo, braile e com cores contrastantes para identificação de uma sala de aula, por exemplo. “Então isso poderia ser uma sinalização a mais que você teria ao lado da porta, como maneira de dizer o que aconteceria naquele dia e naquela sala, de como os móveis estariam naquele local. Então, seria uma forma de inclusão, para facilitar a autonomia de pessoas que não enxergam ou que possuem baixa visão, porque eles teriam grande dificuldade de cursar ou fazerem qualquer coisa numa sala que constantemente estaria mudando de layout, e a tendência é de cada vez mais essas salas serem mutáveis”, ressalta Andrea.

A medida em que as pesquisas avançam, novos encontros são marcados com os integrantes da APACE. “É muito difícil obter todos esses elementos se não consultar o usuário propriamente dito. Então a importância desse trabalho feito com eles é exatamente subsidiar as pesquisas que a gente tem feito, tanto de iniciação tecnológica de inovação, como as de mestrados, em que a gente tem desenvolvido com esse tema, em que as dissertações são mais assertivas e conseguem maior êxito nos produtos gerados. Além do mais, isso vai servir também para outras atividades que estão sendo feitas para dar autonomia para pessoas com deficiência visual”, afirma a professora.

Para Hilda, uma das participantes da atividade e que possui baixa visão, essa é uma experiência que vêm para contribuir no seu dia a dia. “São encontros muito proveitosos. Como antes eu enxergava, eu já conhecia os espaços, mas hoje eu vi de outra maneira. Me enriquece muito o que aprendi aqui hoje, e vou aplicar no meu andar, no meu dia a dia”, diz.

Fotos: Paula Steffenon/ IMED e NITAU/IMED

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