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20/05/2022
Trote CãoLidário da IMED arrecada mais de cinco toneladas de ração para cães e gatos

Por: Francine Tiecher

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Ação promovida pelo Curso de Medicina Veterinária da instituição destina alimentos para animais recolhidos por ONG’s e entidades independentes da região

 

Cachorros e gatos de rua são comuns nas paisagens urbanas, principalmente nas metrópoles brasileiras. Embora não existam estatísticas oficiais, a Organização Mundial da Saúde – OMS estima que no Brasil a quantidade de animais abandonados ultrapasse os milhões. 

Mas, se todos os dias vemos gatos e cães nesta situação, de quem é a responsabilidade? Foi a partir deste e de outros questionamentos que surgiu a ideia da realização do Trote CãoLidário, que está em sua 5ª edição. Promovido pelo Curso de Medicina Veterinária da instituição, os calouros da graduação são desafiados a arrecadar a maior quantidade de ração possível.

Para marcar o início da vida acadêmica e seu ingresso na instituição, os estudantes são divididos em equipes e, considerando a aprendizagem baseada em desafios, buscam, por meio de doações de empresas e de pessoas físicas, arrecadar o maior número de quilos de alimentos para cães e gatos em um período de dois meses.

“Enquanto não temos políticas públicas eficientes, enquanto não há responsabilidade da população em relação a posse de um animal, precisamos no mínimo alimentá-los para que sobrevivam a este mundo a que foram inseridos”, destaca o médico veterinário Dr. Deniz Anziliero, que é membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul e Coordenador do Curso na IMED.

As rações arrecadadas são destinadas à ONG’s e a entidades independentes que atuam com a causa animal. Além da ação social realizada com o desafio, que nesta edição superou cinco toneladas de alimentos para cães e gatos, a atividade trabalha o desenvolvimento das principais soft skills (competências comportamentais) tão desejadas pelo mercado de trabalho.

Daniel Rezende, um dos alunos que integrou a equipe “Cão Quemia”, vencedora da iniciativa, conta que a experiência foi desafiadora, e que proporcionou grande integração e trabalho em equipe por conta da turma de mais de 60 calouros.  

“ O início de toda a ação surgiu dentro da disciplina de desafios da profissão, que só existe na IMED, então começa por aí todo o diferencial da atividade, do curso e da instituição. Mais de 60 calouros do curso, de Passo Fundo e de outras cidades foram organizados de forma aleatória e íamos nos conhecendo aos poucos. Nosso grupo traçou uma estratégia, com planejamento e metas para executarmos o que tínhamos em mente e conseguimos arrecadar 1.340 quilos de ração. A grande adesão por parte da própria comunidade foi gratificante, pois eu nunca tinha participado de uma ação de arrecadação de rações para protetores de animais, e vimos a comunidade engajada de verdade. Além da arrecadação física dos sacos de ração, fizemos também uma vaquinha virtual onde as pessoas enxergavam, de forma transparente, os valores adquiridos, para onde ia o dinheiro, como era administrado, como foi realizado o saque a conversão em rações. E os grandes responsáveis pelo sucesso da ação foi a comunidade, que estava comprometida com a causa e abraçou a ideia. Então foi algo incrível, foi uma experiência única, que aproximou as pessoas, gerou network, envolveu a questão do empreendedorismo e da liderança, de pensar fora da caixa. E tudo isso resultou em um recorde de arrecadação comparado com as outras edições do Trote CãoLidário, e conseguimos com isso ajudar inúmeras ONGs, inúmeros protetores de animais com essas doações”, conta o acadêmico.

A iniciativa faz parte do propósito do Curso de Medicina Veterinária da IMED, que visa oportunizar experiências marcantes por meio de ambientes de aprendizagem inovadores e tecnológicos, resultando na formação de profissionais diferenciados para a sociedade. Os estudantes foram mentorados pelos professores Luís Fernando Pedrotti e Giovani Kolling.

Confira as entidades beneficiadas nesta edição do trote CãoLidário: Passo Fundo - Pataviralata, Tato, Ventos do Sul e Ampara; Arvorezinha - Patinhas em Ação; Espumoso – SOS Animal; Guaporé - PAC ANIMAIS; Serafina Corrêa – ASPAC; Sananduva – ASFRAPAN; Lagoa Vermelha – APIA; Marau - Brechó do cão; e Carazinho – ACAPA; além dos municípios de Soledade e Coxilha.

 

Situação dos animais no Brasil

Dados do último Censo mostraram que, no nosso país, 59% da população possui um cão ou gato como animal de companhia, sendo que na cidade de São Paulo, 44% dos domicílios apresentam um cão ou gato que são considerados animais de estimação ou que possuem funções mais especializadas, como cães de guarda ou cães guia.

Já um levantamento realizado pelo Instituto Pet Brasil apurou a existência de mais de 370 Organizações Não-Governamentais – ONG’s atuando na proteção animal no território brasileiro. Dessas, 46%, ou seja, 169 entidades estão na região Sudeste, seguida pelas regiões Sul (18%), Nordeste (17%), Norte (12%) e, por fim, Centro-Oeste (7%). Juntas, essas instituições tutelam mais de 172 mil animais, sendo que desses, 165.200 (96%) são cães e 6.883 (4%) são gatos.

Considerando que estes dados são de 2019, depois da pandemia e seus impactos, é provável que tenhamos em 2022, uma população de animais muito maior, bem como o consequente aumento nas taxas de abandono.

Segundo consta no Código Penal Brasileiro, o abandono de animais é considerado crime, sob pena de detenção e multa. Apesar disso, o cenário visto atualmente é bastante desfavorável.

No que diz respeito aos cães e gatos, a manutenção e procriação de espécies sem o controle de mobilidade e sem supervisão por parte dos proprietários, propicia condições para o crescimento desenfreado da população de animais nos municípios brasileiros, gerando consequências desastrosas para a saúde pública. Assim, as construções abandonadas, os pátios de estacionamentos, praças, entre outros, passam a servir de abrigo para esses animais.

“Neste contexto, se levarmos em consideração o comportamento reprodutivo dessas espécies, a falta de conhecimento por parte dos responsáveis sobre as necessidades fisiológicas e psicológicas dos animais, o manejo inadequado, os aspectos sociais e culturais, associados à situação socioeconômica da população e à falta de políticas públicas que visem à resolução da situação do descaso para com os animais, podem ser citadas como pontos fundamentais para a perpetuação do abandono de animais e dos riscos inerentes a estas atitudes. Assim, a regulamentação da reprodução destes animais, associado, esterilização de animais e a educação da população, são políticas públicas urgentes a serem adotadas pelos órgãos públicos”, finaliza Deniz.

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