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16/09/2019
Pesquisa aponta relação entre os imigrantes com o mercado de trabalho

Por: Eduarda Ricci Perin

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Estudo desenvolvido na IMED analisa a migração em busca de trabalho na região Norte do Rio Grande do Sul

A partir dos anos 2000, o perfil da mão de obra brasileira elevou seu nível de escolaridade, conforme os dados do Ministério do Trabalho e Emprego. A qualificação da mão de obra refletiu na abertura de vagas de trabalho para atender a demanda de mão de obra de menor qualificação e remuneração. Em geral, os trabalhadores migrantes passaram a ocupar essas vagas disponíveis, sendo que o Rio Grande do Sul é um dos estados brasileiros que mais recebem migrantes. 

As alterações sofridas pela força de trabalho aumentam a importância de se compreender o comportamento dos migrantes para integrá-los à sociedade brasileira e subsidiar os gestores das organizações na adoção de políticas de Gestão de Pessoas, facilitando o alcance das metas organizacionais. Neste contexto, duas pesquisas foram realizadas pelo Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) da IMED com migrantes senegaleses, haitianos, bengaleses e ganeses que ingressaram no Brasil para trabalhar após o ano de 2000 a fim de analisar a percepção dos migrantes quanto à sua socialização e bem-estar no trabalho e na vida pessoal. 

Os resultados mostram que os migrantes se inseriram no mercado de trabalho em ocupações que o trabalhador brasileiro não tem mais interesse de realizar, tais como os serviços industriais ligados à construção civil, frigoríficos e auxiliares de baixa qualificação. Porém, existe um número considerável de migrantes com ensino superior obtido em seus países de origem, ingressando nestas ocupações e suas expectativas são por trabalhos mais qualificados.

“Os estudos mostraram também que os migrantes buscam nas relações de trabalho, além de uma atividade econômica para atingir um rendimento que possa satisfazer as suas necessidades básicas, a interação com o meio social em que se inserem. Para eles, o trabalho é visto como uma forma de desempenhar um papel importante na sociedade, aceito pela comunidade e visto como um sinal de apreço pelo que o indivíduo faz, assim como por meio dele é possível estabelecer relações de respeito com os parceiros e a sociedade”, comentam as pesquisadoras Me. Jaqueline de Quadros Dill Lague e Me. Lidiane Cássia Comin.

Segundo elas, o trabalho é um importante elemento na construção dessa nova identidade social destes migrantes e, desta forma, a satisfação e o comprometimento pessoal proporciona maior sentido ao trabalho, o que influencia diretamente na sua adaptação e na melhoria dos resultados organizacionais. 

FATORES CARACTERÍSTICAS

Remuneração

Está ligada à dignidade e ao sucesso no trabalho.

Trabalho

O trabalho não é apenas uma forma de sobrevivência.

Atividades

Busca prazer na atividade que desempenha, conta com o apoio de seu líder e com a colaboração do seu grupo.

Satisfação geral com a vida

Foi identificado o dinheiro, a ajuda à família e os serviços oferecidos pelo governo, principalmente, a saúde.

 

 

Afetividade

 

A prática da religião, a paz que eles encontram no Brasil, a amizade com os brasileiros e outros migrantes, a oportunidade de aprender outro idioma e as vivências pessoais e profissionais. Destaca-se também a saudade dos familiares, algumas situações de decepção no decorrer da vida, o racismo, alguns atos de desrespeito e expectativas frustradas, pois a realidade encontrada não corresponde ao que tinham imaginado.

Satisfação no trabalho

 

A satisfação está no relacionamento com os colegas e no suporte oferecido pela empresa, mas há insatisfação com o salário e a chefia.

Envolvimento com o trabalho

Os migrantes se identificam com os valores da empresa. No entanto, a falta de oportunidade de crescimento na empresa e o sentimento de injustiça em relação ao tratamento dado aos colegas brasileiros acaba influenciando de forma negativa. Muitas vezes, os migrantes não entendem às políticas e práticas da empresa, atribuindo às cobranças como atos de desigualdade.

Comprometimento organizacional

 

São dedicados e pretendem manter vínculo com a organização, mas se encontrarem um trabalho com salário maior, não hesitarão em trocar de emprego.

Fatores de socialização e bem-estar no trabalho e vida pessoal dos migrantes. Fonte: Comin (2016) e Lague (2017).

De acordo com o estudo, os colegas de trabalho são um dos principais grupos de inserção nesse meio social. Por isso, o conhecimento da socialização e de como o indivíduo constrói a sua identidade, reflete nos comportamentos da realidade organizacional. “Exemplo disso é que os entrevistados demonstraram interesse em permanecer na empresa, mas observam que não são oferecidas oportunidades de crescimento, remuneração justa e tratamento igualitário. No entanto, as empresas pesquisadas não percebem esse interesse do migrante e acham que eles não têm interesse em permanecer por muito tempo na empresa”, apontam as pesquisadoras. Para tanto, a empresa precisa estar mais preparada para trabalhar com esses migrantes, devido aos diferentes padrões culturais de ambos os países. Há, então, a necessidade de um gestor que entenda a cultura desses migrantes para que seja possível fazer os ajustes culturais necessários, podendo gerar maior entrosamento e motivação dos migrantes.

As pesquisas concluem que através das práticas organizacionais é possível melhor capacitar e gerenciar essa força de trabalho multicultural, aumentando a diversidade e conhecimento da empresa. Para tanto, há a necessidade de rever as políticas e práticas organizacionais, a partir de um olhar mais atento dos gestores sobre a diversidade nas empresas, sendo apontado como fator crítico de sobrevivência organizacional. A mobilidade de trabalhadores migrantes constitui uma importante dimensão, produzindo efeitos nas empresas, no funcionamento do mercado de trabalho e na estrutura social dos países, levando-se em consideração seu impacto não somente econômico, mas também religioso, cultural e histórico.

O estudo foi desenvolvido pelos professores e pesquisadores do Mestrado em Administração da IMED, Dr. Jandir Pauli e Dra. Shalimar Gallon e pelas Mestres em Administração Jaqueline de Quadros Dill Lague e Lidiane Cássia Comin. 

 

*Texto desenvolvido com a colaboração dos pesquisadores Dr. Jandir Pauli, Dra. Shalimar Gallon, Me. Jaqueline de Quadros Dill Lague e Me. Lidiane Cássia Comin. 

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