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27/09/2021
Medicina Veterinária 4.0

Por: Francine Tiecher

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Como a tecnologia está revolucionando as interações entre seres humanos e animais

 

Facilitar o dia a dia é uma das principais vantagens da tecnologia. Seu uso vem crescendo exponencialmente como recurso para a solução de problemas reais encontrados em diversos segmentos. Frente a uma infinidade de cenários e há algumas décadas, essa transformação digital tomou seu espaço em nossas vidas. Está aí a pandemia que não nos deixa mentir.

Você não imagina mais a sua vida sem tecnologia, não é mesmo?

Seu uso amplia a capacidade de produzir mais em menos tempo, encurta distâncias, permite que novas profissões sejam criadas e otimiza centenas de tarefas, incluindo na área veterinária.

Foto: Reprodução internet

 

Algumas vezes, as novas tecnologias se apresentam de forma mais transparente e direta. Outras, de forma mais subjetiva, em que nem sempre o usuário consegue percebê-la. É o que explica o programador Tiago de Ávila Mendes, que é docente do Curso de Ciência da Computação da IMED e tem formação em Tecnologia em Processamento de Dados e mestrado em Computação Aplicada.

“Apesar de nesta área esse uso parecer inicialmente um pouco mais discreto e tímido, algumas subáreas estão em pleno desenvolvimento, utilizando tecnologias originárias da área de Tecnologia da Informação, como por exemplo, a Internet das Coisas, Impressão 3D, e a própria inteligência artificial”, observa.

O uso da tecnologia na medicina veterinária, segundo Tiago, altera e melhora a maneira de trabalhar dos médicos veterinários, e dos profissionais da área veterinária com um todo. Isso porque ela auxilia na execução das tarefas do dia a dia de trabalho em relação a metodologias, a formas de tratamento, bem como à precisão de diagnósticos.

Além de contribuir com vários segmentos da área, ele destaca que o uso de tecnologias e inteligência artificial tem melhorado consideravelmente a relação e a interação entre seres humanos e animais.

 

Como a inteligência artificial tem sido usada na área veterinária?

Próteses animais feitas com utilização da impressão 3D já é uma realidade e vem melhorando a qualidade de vida de animais domésticos e de vida livre - (Foto: Reprodução internet)

 

Não é raro vermos ou conhecermos o caso de algum cachorro ou gato que tenha perdido uma das patas. Normalmente a adaptação nesses casos é boa e, aparentemente, os animais vivem felizes tendo apenas três pernas para se equilibrarem. Este é um caso típico no qual há bastante debate sobre os benefícios que uma pata artificial pode trazer. No caso de quadrúpedes, a perda de dois membros já é muito problemática, e há a necessidade da implantação de próteses para trazer de volta o bem-estar do bicho.

Para que o animal se acostume com as próteses, é necessário que ele entenda para que elas servem e que veja o benefício que trazem. Caso contrário, o novo membro pode mais atrapalhar do que ajudar.

Além de patas, diversas outras partes dos corpos dos bichos vêm ganhando substitutos quando preciso, utilizando-se, principalmente, da prototipagem a partir da impressão 3D. É o caso de bicos de aves, cascos e nadadeiras de tartarugas e, até mesmo, revestimentos protetivos para evitar que animais com alguma deficiência causem ferimentos em si mesmos.

A área da protética animal é bastante ampla e está apta a dar ótimos frutos para quem se aventurar por ela e, principalmente, para os bichos que um dia possam precisar desse tipo de apoio.

Além dela, outras áreas também se destacam, como é o caso da utilização de softwares e equipamentos para precisão de diagnóstico ou até utilização de softwares em forma de chatbots.

“Em todas as áreas, tem se utilizado muito dos benefícios da tecnologia para o melhoramento do processo de produção até o mercado pet. Por exemplo, a empresa Sony fabricou um robô específico para fazer companhia às pessoas que desejam ter um animal de estimação, mas não podem. Ele é um simulador de um pet”, conta Tiago.

Sony Aibo, o cão robô

 

Essas inovações também estão sendo bastante difundidas para auxiliar o manejo de animais de produção. “Já temos conhecimento sobre sistemas inteligentes que analisam o comportamento dos animais, alguns softwares que simulam o efeito dos medicamentos nos animais antes de serem administrados a eles. Então, são vários segmentos em que a inteligência artificial está sendo utilizada, para perceber padrões dos animais em determinadas situações”, relata.

Alguns dispositivos, conforme o programador, conseguem analisar padrões faciais dos animais e também de comportamento. “Sem falar dos chatbots, que estão tendo seu uso amplamente difundidos na área, e que conseguem passar indicações, por meio de voz, do que pode estar acontecendo com o animal, a partir das características descritas pelo dono”, exemplifica Mendes.

 

O que são os chatbots?

Os chatbots nada mais são do que softwares que se utilizam da inteligência artificial, para executar ações por meio de comandos de voz. Esse programa tenta simular a interação com um ser humano, de uma maneira natural, como se outra pessoa estivesse do outro lado da tela do seu smartphone.

A ferramenta atende necessidades de forma rápida e assertiva. Eles são utilizados atualmente no Google, nas aplicações Siri e Alexa, em empresas de serviços e telecomunicações, entre outros.

Na veterinária, essa tecnologia é utilizada em aplicativos para diagnósticos de possíveis doenças em pets, agendamento de consultas e exames, monitoramento de animais de produção, e afins.

 

Gestão de dados para eficiência produtiva na agropecuária

Uma ideia de construir um aplicativo, surgida dentro da Disciplina de Desafios do Empreendedorismo do curso de Medicina Veterinária da IMED, alcançou o primeiro lugar entre as 10 melhores iniciativas universitárias do Brasil, no “Global Challenge”, concurso universitário de empreendedorismo, promovido pela Fundação Wadhwani.

A startup “ControlBovineMilk”, que venceu a premiação, é composta pelos alunos Diego Gabriel Xavier, Édina Jaqueline Raber e Felipe Luiz Batistella. Eles desenvolveram um aplicativo de controle e gerenciamento de propriedades de bovinos leiteiros.

O ControlBovineMilk é um app criado com o objetivo de solucionar os principais problemas de uma propriedade leiteira, por meio de gestão, de controle de dados e anotações e, principalmente, trazendo otimização na organização dessas propriedades.

“Quando fomos selecionados entre os melhores trabalhos não imaginávamos que iríamos ter esta vitória, nos empenhamos e demos o nosso melhor, e juntos conquistamos o 1° lugar no Global Challenge. Foi uma imensa alegria acreditarem no aplicativo Controlbovinemilk”, frisa Édina.

O projeto recebeu uma das notas mais altas entre todos os projetos brasileiros empreendedores do Global Challenge 2020.2, desafio no qual as ideias submetidas nos diversos países em que a Fundação Wadhwani atua foram validadas por juízes-convidados, ou seja, empreendedores, que analisaram o trabalho desenvolvido com as instituições parceiras. No Brasil, a IMED está entre elas.

Tecnologias estão sendo amplamente utilizadas para otimizar processos produtivos e de melhoria no desempenho e bem-estar de grandes animais - (Foto: Envato)

 

“Ter a oportunidade de participar e ainda ficar em 1° lugar com a nossa startup, a ControlBovineMilk, foi uma imensa satisfação e uma imensa alegria. Nós não esperávamos ter chegado tão longe. Mas chegamos e fomos vitoriosos. Agora é seguir com o aplicativo, dar continuidade nessa ideia, e ir o mais longe que pudermos”, pontua Felipe.

Durante as apresentações, cada grupo participante teve a oportunidade de explanar sobre sua ideia inovadora, receber feedbacks e sugestões, tirar dúvidas dos juízes convidados, além de mostrar os avanços em seus projetos e conhecer e prestigiar os demais membros da nova geração de empreendedores brasileiros.

“Foi muito gratificante ganhar a startup, até ficamos surpresos pelo fato de que não sabíamos que nosso projeto já tinha essa extensão, e que chegaríamos onde chegamos”, comenta Diego.

A equipe irá participar de três programas avançados de pré-aceleração para a startup, no Centro de Empreendedorismo UNIFEI, financiados pela Fundação Wadhwani, com foco no desenvolvimento e em novas oportunidades.

 

Inteligência artificial: uma aliada no diagnóstico de exames

A Vetpix é uma startup brasileira que utiliza modernos algoritmos de visão computacional aliado à inteligência artificial para realizar o diagnóstico de exames em um processador próprio.

O equipamento portátil, utiliza apenas uma amostra de sangue coletada do animal, para realizar diversos exames de forma simultânea, por meio de um algoritmo que lê a lâmina preparada pelo profissional.

Em poucos minutos, seja em consultório, em domicílio ou à campo, a lâmina será escaneada e enviada ao servidor. O algoritmo de Inteligência Artificial vai comparar as informações encontradas na lâmina com o banco de dados existente no sistema, e em alguns minutos, o resultado será processado.

O médico veterinário tem à sua disposição as informações necessárias, sem que seja necessário encontrar o animal em uma segunda vez para precisar o diagnóstico. O resultado fica disponível online, por e-mail ou aplicativo, indicando variações ocorridas e análises para facilitar o diagnóstico.

O sistema utilizado pelo VetPix foi “treinado” por patologistas experientes e possui uma alta taxa de acerto nos resultados, números que ficam acima dos padrões tradicionais, e ainda não necessita de uma estrutura específica para funcionamento, o que faz com que o exame tenha um custo mais barato do que os realizados em laboratórios tradicionais.

“Todas as tecnologias vêm auxiliando a melhoria de processos em todas as áreas. Existem dispositivos que ajudam a localizar animais perdidos; alguns que estão sendo desenvolvidos para reconhecer quando um pet não está bem e notificam o tutor; outros no segmento da produção, que detectam por meio da inteligência artificial, quando os animais estão sob estresse ou quando não estão em bem-estar, para que medidas sejam adotadas no manejo de suínos e bovinos, e não haja o impacto na qualidade da carne que vai para a mesa do consumidor. Então, o uso da tecnologia está sendo amplamente difundido e utilizado, e esse é um caminho sem volta”, finaliza Tiago.

 

E, na sua opinião, qual o futuro da tecnologia na área veterinária? Será que chegaremos até os dias em que animais vão conseguir se comunicar verbalmente com humanos, com ajuda de softwares? Você acha que isso é possível?

 

Conheça outras iniciativas na área da Medicina Veterinária que utilizam Inteligência Artificial

TecPet - pré-atendimentos, agendamentos, venda de produtos e notificação de clientes sobre os atendimentos;

NetVet - gestão de clínicas veterinárias, automatizações e sistemas de análise de dados financeiros;

4milk – aplicativo voltado exclusivamente para o produtor de leite, que permite a gestão do rebanho de maneira simples e moderna;

Sure Petcare – identificação, rastreabilidade e monitoramento digital de animais de companhia;

Allfex - identificação, rastreabilidade e monitoramento digital de animais de produção;

IdentiGEN - monitoramento via DNA de carne bovina, frutos do mar, porcos e aves da fazenda à mesa;

Poultry Sense- tecnologia para medir, comparar e registrar indicadores-chave de saúde e ambiental para prevenir doenças e melhorar o desempenho da produção avícola;

Quantified AG - análise de dados que monitora a temperatura e o movimento do corpo de bovinos para detectar doenças precocemente;

Vaki - equipamentos de monitoramento de vídeo para peixes.

 

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