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29/03/2021
É possível empreender com pouco dinheiro?

Por: Daniel Santos

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Quem pensa que é necessário ter um grande capital para o sucesso de um empreendimento está enganado, o segredo está na estratégia e organização

Nunca se ouviu falar tanto em inovação e empreendedorismo. Mas, na maioria das vezes, o dinheiro pode ser um dos maiores obstáculos para quem almeja conquistar próprio negócio, certo? E se te falassem que nem sempre é assim?

Para a diretora do Hub de Inovação da IMED, Márcia Capellari, fazer o dinheiro trabalhar para si é uma das primeiras coisas que o futuro empreendedor deve ter em mente. Ela recorda que a IMED é um exemplo de empresa que começou com pouco dinheiro.

“Para se ter uma ideia, o dinheiro para comprar cadeiras foi financiado, utilizando a rede de confiança e amigos. A IMED começou em 2001, com quatro sócios e dez mil reais, mas motivada por um sonho e muita força de vontade. Após o registro da empresa e protocolo do primeiro curso no MEC, partimos para a busca de investidores. Talvez o segredo foi conseguir atrair investidores e construir um projeto de qualidade, mantendo foco e resiliência ano após ano”, relembra.

 

Fazer o dinheiro trabalhar para si é uma das primeiras coisas que o futuro empreendedor deve ter em mente, segundo Márcia Capellari. Foto: Francine Tiecher/IMED

 

Na opinião dela, para empreender o primeiro passo é conhecer o tipo de negócio que mais se identifica, bem como a inovação deve ser o lema do futuro empreendedor.  

“As mulheres estão mais ligadas à educação, saúde e serviços, enquanto os homens mais à inovação e à tecnologia.  Acredito que qualquer negócio pode ser rentável e não existe uma receita mágica para que ele dê certo, porém, especialmente as iniciativas que tiverem em sua natureza a base digital e tecnológica, são as que tendem a serem mais rentáveis. Exemplo disso são a Amazon e a Magazine Luiza. A IMED também vem se transformando no contexto empresarial como uma empresa que será digital com experiências presenciais”, acrescenta Márcia.

Dados do Portal do Empreendedor mostram que o Brasil fechou 2020 com o maior número de empreendedores de sua história. E foi com a chegada da pandemia do coronavírus que muitas pessoas decidiram empreender. E é entre os microempreendedores individuais que as estatísticas apontam a maior incidência. Em março, coincidindo com o início das restrições impostas pela crise sanitária e seus desdobramentos na economia, o país contava com 9.818.993 MEI’s registrados. Em dezembro de 2020, essa estatística saltou para 11.316.853 de registros, o que representa um crescimento de 13,23%.

Empreendedores como a Micheline Paschke, estão entre os brasileiros que começaram empreendendo com pouco dinheiro. Graduada em Teologia e Psicologia, a pós-graduanda pela IMED comanda, na cidade de Passo Fundo, o pet shop Auauqmia, especializada em estética animal.

O empreendedorismo, para Micheline, chegou cedo. Ainda na infância, estimulada pela paixão por animais, ajudava o avô na fazenda com o manejo e controle do gado leiteiro. Mais tarde, na reta final da faculdade de teologia, o empreendedorismo cruza com ela mais uma vez. Selecionada em uma bolsa de estudos na Suíça, mas sem dinheiro para passagem, decide ficar pelo Brasil, e aceita o convite de uma amiga – antiga proprietária do pet shop do qual hoje ela é a proprietária – para ministrar um treinamento sobre atendimento aos colaboradores. Foi como se fosse tivesse um reencontro com suas raízes. 

 

Empreendedores como a Micheline Paschke, estão entre os brasileiros que começaram empreendendo com pouco dinheiro. Foto: Arquivo Pessoal 

 

“Eu sou a ‘fora da curva’ da minha família que é formada basicamente por pessoas que passaram em concurso público. Meus pais e tios tiveram cargos de carreira no funcionalismo público. Eu não. Eu quis fazer diferente. Ao dar esse treinamento na Auauqmia, que adquiri conhecimento sobre o assunto na faculdade de teologia, comecei a reestruturar a equipe, estudar banho e tosa e saúde do animal, passei a ver os nichos de mercado que o universo pet podia me possibilitar. Foi aí que me interessei em comprar a pet e fiz uma proposta de compra para pagar com o meu trabalho. Não tive financiamento e nem patrocínio. A compra foi organizada a partir do que eu podia pagar e oferecer naquele momento: meu trabalho”, recorda.

Ao se tornar a dona do Pet Shop Auauqmia, o interesse pelo aprendizado se tornou ainda maior. “Eu passei a buscar cursos e ver o que tinha de diferencial nesse nicho de mercado. Dentro do valor dos meus serviços oferecidos no pet, eu passei a colocar um valor para pagar esses cursos, ou seja, criei um caixa para isso, destinado para investimento em educação e tecnologia, pois quanto mais rápido eu posso desenvolver o processo, mais lucratividade eu posso ter. Além disso, precisamos da paixão para nos manter em movimento e assim tem que ser com a nossa empresa, e para isso a gente não precisa de dinheiro. Para alcançar o sucesso no empreendedorismo também é necessário estudar e sair da zona do conforto”, orienta.

Vinícius Mendes Lima, fundador da Agência Besouro de Fomento Social, desenvolveu uma metodologia para ajudar quem deseja empreender investindo pouco. O método é baseado na necessidade e realidade do aluno e embasado através de 11 etapas com uma linguagem simplificada e acessível a pessoas de todas idades e grau de escolaridade. São elas: Meu Sonho, Meu Perfil, Criatividade, Meu Negócio, Minha Marca, Minha Pesquisa, Minhas Vendas, Meu RH, Minhas Finanças, Minha Análise e o Plano de Ação. Essas etapas são trabalhadas em cinco dias de aula, resultando em um plano de negócio levando em conta suas dificuldades, recursos e oportunidades para se tornar um empreendedor e abrir seu próprio negócio.

 

Vinícius Mendes Lima, fundador da Agência Besouro de Fomento Social, desenvolveu uma metodologia para ajudar quem deseja empreender investindo pouco.  Fotos: Karen Vidaleti /IMED

 

“O empreendedor deve ter propósito, posicionamento, personalização e persistência. Os novos consumidores da geração atual que vivemos é extremamente inclusiva e busca por marcas, produtos e serviços que que compartilhem valores e propósitos e é necessário ter isso muito claro”, aconselha Vinicius.

Entretanto, é necessário ter cautela, principalmente no investimento financeiro a ser feito. “Você pode começar com menos, sim. Um investimento financeiro alto não significa um retorno alto ou mais rápido. Tenha prudência na hora de comprar seus produtos ou materiais necessários para prestar o seu serviço. Todo valor é negociável. Não tenha pressa em calcular o seu custo, isso é crucial na hora de saber quanto vai investir no seu negócio. Tenha cuidado e atenção sempre ao mercado atual, seja local, regional ou nacional, para identificar com mais facilidades possíveis crises no mercado no qual você vai atuar”, sugere.

 

 

5 dicas para empreendedores com grana curta 

 

 

Empreender requer além de esforço, muita dedicação e planejamento dos custos. Pensando nas pessoas interessadas em ter o seu próprio negócio, a diretora do HUB de Inovação da IMED, Márcia Capellari, elaborou cinco dicas que podem te ajudar nessa missão:

Pensar certo – fuja da modinha e do pensamento de abrir um negócio porque está na moda. Para o negócio dar certo é necessário se questionar: Como eu vou fazer a diferença na vida das pessoas com o meu produto ou serviço?

Monte seu Canvas - Saiba qual o propósito do seu negócio e que valor entrega ao cliente.

Saber das Pessoas - descubra o que as pessoas querem e precisam. Para isso é necessário medir o volume da sua vaidade e ego. Empreendedor com ego alto dificilmente dará certo! É necessário escutar o feedback das pessoas. Por isso você precisa entender sobre a essência do seu produto.

Busque referências – Para quem está começando um negócio, ter uma referência é fundamental. Pode- se buscar referências experimentadas em outras áreas e aplicar em sua ideia.

Seja criativo na sua divulgação - Em tempos de crise a criatividade é ainda mais necessária.  Aprenda a divulgar corretamente na linguagem do público que deseja atingir. Utilize as oportunidades e redes de apoio.

 

 

Sobre o HUB de Inovação

 

O hub de inovação da IMED surgiu para fortalecer o ecossistema de inovação e empreendedorismo, utilizando a tecnologia e a pesquisa acadêmica como meio para oferecer soluções inovadoras, que aumente eficiência e reduza custos para as empresas. Para conectar pessoas a oportunidades, o hub conta não só com espaços físicos, mas também disponibiliza um ambiente virtual, permitindo a conexão de startups, empresas, mentores e profissionais do mundo inteiro.

 

 

Programa Amplifica

 

O distanciamento social e as demais medidas de segurança para evitar a disseminação da Covid-19 impactaram de maneira significativa os negócios, em diversas áreas, causando incertezas, prejuízos financeiros e dificuldades nas operações. Para contribuir com a reorganização de micro e pequenas empresas, de forma com que recuperam a saúde financeira e mantenham a geração de empregos, a IMED e a Prefeitura de Passo Fundo desenvolveram o programa Amplifica, que teve início em agosto de 2020.

O Programa é composto por duas etapas. A primeira é o treinamento dividido em quatro módulos: financeiro, estratégia e tecnologia, marketing e canais de vendas e captação de recurso. A segunda etapa é a mentoria, onde os empresários indicam suas principais dores, entre os eixos finanças, operações, marketing e vendas, contabilidade, estratégia e gestão de pessoas. Os treinamentos são gravados, permitindo que o empresário acesse onde e quando desejar. Já as mentorias acontecem de forma online e síncrona, permitindo interação entre empresário e mentor.

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