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14/05/2020
Dez anos em dois meses

Por: Eduarda Perin

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Como as transformações causadas pelo Novo Coronavírus estimulam a inovação, a tecnologia e o empreendedorismo

A Covid-19 acelerou o “download” do futuro. Para especialistas e referências nacionais em inovação, tecnologia e empreendedorismo, avançamos cerca de 10 anos em pouco mais de dois meses. Tudo isso pelas transformações impostas pelo “apocalipse digital” que vivemos.

Este foi o debate que norteou o webinar “Ecossistemas de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo no Brasil frente à Crise”, promovido pela IMED na noite dessa quinta-feira, 14 de maio, ao vivo.

Os palestrantes Daniel Leipnitz, diretor corporativo na Visto Sistemas e presidente da ACATE SC, Marcelo Rodrigues, superintendente da Amcham POA e head de inovação da Amcham Brasil, Maurício Benvenutti, head de Inovação da StartSe e Silvio Meira, cientista-chefe da The Digital Strategy Company analisaram o cenário de transformação e compartilharam tendências para o pós-pandemia nas áreas de inovação, tecnologia e empreendedorismo, com a mediação da diretora do Hub de Inovação da IMED, Márcia Capellari e do editor de Opinião do Grupo RBS, colunista e comentarista de GauchaZH e RBS TV, Tulio Milman.

O futuro já chegou
Silvio Meira iniciou o debate com a frase de William Gibson: “O futuro já chegou, só não foi distribuído ainda”. Para o cientista-chefe da The Digital Strategy Company, as transformações causadas pela Covid-19 exigem que as pessoas aprendam a escalar seus negócios em velocidade de crise. “As empresas e os ecossistemas de inovação passaram a ter duas opções: redesenhar de forma radical o sistema operacional e o modelo de negócio para o digital ou esperar o retorno do formato analógico, voltando aos hábitos e à velocidade deste modelo”, enfatiza. É justamente a velocidade na tomada de decisões que diferencia um negócio analógico para um negócio digital, de acordo com Meira: enquanto o negócio analógico decide em um ano ou um ano e meio, o negócio digital divide o ano em 50, analisando semanalmente a realocação de capital e as estratégias de mercado. “Toda semana é um ano inteiro”, disse.

Para ele, a pandemia nos torna colaborativos e nos provoca a decidir em tempo real, tratando de problemas que até então não haviam sido tratados e provocando o salto de uma década e meia em semanas. Para exemplificar a velocidade exigida pela crise, Meira citou o Parceiro Magalu, uma plataforma de vendas digital gratuita da Magazine Luiza que ajuda autônomos, micro e pequenos varejistas a seguirem com os negócios durante o período de pandemia. Membro do conselho da Magalu, Silvio contou que o lançamento da plataforma seria realizado em cinco meses, mas o lançamento ocorreu em duas semanas e alcançou em um mês mais de 250 mil usuários. “Essa é a velocidade na qual de repente a gente chegou” destaca.

Acontecimentos que geram grandes transformações
Maurício Benvenutti iniciou sua fala citando fatos que provocaram profundas transformações no mercado, na economia e na inovação: em 2002, na China, a epidemia de SARS levou os chineses ao isolamento social e a mudança nos hábitos de consumo no país impulsionaram a criação e o crescimento exponencial do Ali Baba, responsável hoje por 45% do movimento do e-commerce no mundo. O atentado de 11 de setembro mudou radicalmente as normas de segurança e fiscalização em aeroportos e, em 2008, a crise global despertou a indústria da economia compartilhada, surgindo empresas como a Airbnb e o Uber. Os impactos causados pela Covid-19, para o head de Inovação da StartSe, não serão diferentes: causarão grandes mudanças no mundo. “Os negócios que vamos falar daqui há alguns anos estão nascendo agora”, destacou.

As transformações no mundo, segundo Maurício, envolvem a mudança de hábitos. “Dizem que para transformarmos uma nova rotina em um hábito, precisamos viver isso por cerca de 60 e poucos dias. Estamos quase chegando a este período”, comentou. “Algumas mudanças serão temporárias, mas muitas tendem a ficar. Muitos se questionavam sobre o home office, postergando a decisão com dúvidas sobre metas, produtividade... Hoje percebemos que é possível sermos produtivos mesmo de casa. Então, vários hábitos na interação com clientes e com funcionários podem passar de temporários para permanentes dentro das organizações”, destacou.

Não podemos desperdiçar a crise
Diferente de outras crises mundiais, a crise provocada pela Covid-19 não envolve problemas de liquidez, mas sim de confiança e de consumo, segundo Marcelo Rodrigues, superintendente da Amcham POA e head de inovação da Amcham Brasil.

“É o momento de afastar o empreendedorismo de palco e incentivar o empreendedorismo do mundo real. Precisamos de empresas que solucionem dores verdadeiras e não de empresas que busquem a capa do jornal”, enfatizou. O segredo está na execução. “Quem consegue executar tende a encontrar respostas”, disse.  

Sobre o pós-pandemia, Marcelo questiona: “É da natureza das pandemias ter fim. A pergunta é: como vamos nos preparar para quando isso acabar?”. Segundo ele, o desafio é não desperdiçar a crise e as oportunidades que ela gera. “Talento é o principal, as pessoas são o que mais importa”, finalizou.

Ecossistema de inovação fortalecido
O presidente da ACATE - Associação Catarinense de Tecnologia, Daniel Leipnitz, compartilhou dados sobre o ecossistema de inovação de Florianópolis e do estado de Santa Catarina, que começou há cerca de 40 anos, e que hoje conta com mais de 2.500 empresas e 7,5 milhões de faturamento na capital e com mais de 70 mil pessoas em empresas de tecnologia no estado.

De acordo com Leipnitz, assim como qualquer setor da economia, as empresas vinculadas à ACATE, tanto startups, quanto empresas com décadas de existência, foram impactadas pela Covid-19. Como instituição, a Associação começou a pensar de que forma poderia se reinventar e gerar valor ao ecossistema de inovação, o que culminou no lançamento de um plano dividido em sete grandes eixos e focados na necessidade dos empreendedores.

Um dos eixos destacados por Leipnitz é o das soluções tecnológicas. “Tínhamos muita gente desenvolvendo trabalhando para ajudar na prevenção e no combate à Covid. Levantamos mais de 58 soluções e auxiliamos na aplicação delas”, conta. Para o presidente da Associação, a força tarefa montada pela entidade permitiu que o ecossistema de inovação de Floripa e do estado enfrentasse a crise com bastante seriedade, conseguindo agregar valor em cada ação proposta e executada.

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