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12/07/2018
Desafios da vacinação: Doenças erradicadas voltam a assustar

Por: Daniel Santos

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Há dois anos, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus de sarampo. No Rio Grande do Sul, só neste ano, são seis casos confirmados. No Amazonas e em Roraima, a situação é ainda mais alarmante, são cerca de 500 casos confirmados e mais de 1,5 mil em investigação.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a aplicação de todas as vacinas do calendário adulto está abaixo da meta no Brasil – incluindo a dose que protege contra o sarampo. Entre as crianças, a situação não é muito diferente – em 2017, apenas a BCG, que protege contra a tuberculose e é aplicada ainda na maternidade, atingia a meta de 90% de imunização. Em 312 municípios, menos de 50% das crianças foram vacinadas contra a poliomielite. Apesar de erradicada no país desde 1990, a doença ainda é endêmica em três países – Nigéria, Afeganistão e Paquistão.

 

A preocupação, de acordo com o Ministério da Saúde, é por conta da baixa cobertura vacinal

 

Para o professor do curso de Medicina da IMED, o doutor em Epidemiologia Jeovany Martínez Mesa, o panorama atual acerca da vacinação deve-se também à circulação das fake news. “As notícias falsas podem influenciar o rumo de uma eleição, ou de algum outro processo do tipo, elas também podem modificar condutas em relação à saúde. Assim, do mesmo jeito que uma comissão de campanha eleitoral fica atenta para contra resposta a tais fatos, em saúde precisamos fazer a vigilância contínua destes movimentos e nunca subestimar o impacto negativo que elas poderão vir trazer. Acho que os movimentos antivacina foram além do esperado”, comenta.

 

Professor do curso de Medicina da IMED, doutor em Epidemiologia Jeovany Martínez Mesa. 

 

As políticas públicas e ações permanentes são a solução para evitar o retorno das doenças erradicadas e evitar também que outras não erradicadas, mas sob controle, voltem a tomar dimensões catastróficas para a saúde pública. “O problema é complexo, mas plausível de ser entendido e modificado. Adotar um modelo de atenção centrado na pessoa, na família e não mais na doença parece ser imprescindível para modificar tal realidade”, explica o professor.

No Brasil, a consolidação do SUS e dentro da reafirmação da Estratégia da Saúde da Família como carro chefe na Atenção Primária à Saúde faz parte da solução para a melhora dos indicadores de acesso e utilização do Programa Nacional de Imunizações. “Os desafios são vários. Um deles seria entender que a vacinação não deveria ser considerada como um direito individual, mas sim como uma questão de saúde coletiva. Tendo em vista que se a vacina não for feita muita gente poderá vir adoecer e até morrer. Isto porque é sabido que quanto maior o número de pessoas vacinadas menor a chance de circulação de uma determinada doença na população”, comenta o professor Jeovany.

De acordo com o epidemiologista, é necessário que as pessoas entendam que fazem parte do grupo de risco para determinadas doenças. “Além de uma sexualidade responsável que inclui o uso de camisinha em todas as relações, o melhor jeito para erradicar o câncer de colo de útero e bloquear a circulação do vírus HPV é vacinação. Para evitar casos graves, como os de influenza, que podem levar o indivíduo à morte, precisamos falar com os grupos de risco para realizar a vacina e contribuir para desconstruir mitos, como aquele de que quem toma a vacina adoece de gripe. O esquema vacinal das crianças deve ser cumprido à risca em tempo hábil para evitar lamentações desnecessárias”, alerta.

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