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27/05/2020
Como a pesquisa científica tem atuado em defesa da sociedade frente à pandemia

Por: Karen Vidaleti

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Desafios, transformações e oportunidades foram debatidos em evento online, com a participação de nomes de referência na área de ciência e inovação

A contribuição da ciência para a evolução social e econômica, a aproximação entre academia e comunidade, e as mudanças na relação com a sociedade trazidas pela pandemia foram alguns dos pontos abordados no webinar ‘Ciência e covid-19: a pesquisa científica em defesa da sociedade’. Marcando a aula magna do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da IMED, o encontro, promovido pela IMED, reuniu nesta quarta-feira (27) nomes de referência na área. 

Como convidados, participaram o secretário de Inovação Ciência e Tecnologia do Estado do Rio Grande do Sul, Prof. Dr. Luís Lamb; o diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), Prof. Dr. Odir Dellagostin; e a jornalista de ciência e pesquisadora no Labjor-Unicamp, Prof. Dra. Sabine Righetti. A mediação foi conduzida pelo vice-presidente Acadêmico da IMED, Prof. Dr. William Zanella, e pela diretora de Pós-Graduação Stricto Sensu e Pesquisa da Instituição, Prof. Dra. Caroline Calice da Silva.

A busca por respostas e a evolução

O secretário Luís Lamb mostrou que o conhecimento científico tem papel-chave na evolução e no desenvolvimento sócio-econômico dos países, sendo historicamente utilizado por nações como a Inglaterra. Ainda que, em determinados momentos, a economia tenha se baseado em recursos materiais, como os combustíveis fósseis, isso agora dá lugar a um modelo baseado em dados. Um exemplo é o fato de organizações como Microsoft e Amazon, que concentram grande quantidade de dados, terem se tornado empresas com percepção de valor superior a companhias tradicionais. “Na verdade, a inovação, a ciência e o conhecimento sempre foram a moeda com maior possibilidade de troca, mais valorizada na qual se basearam os países que tiveram maior evolução econômica.”

O presidente da Fapergs considerou que, se há um aspecto que possa ser destacado como positivo em relação à pandemia, esse se refere à importância que a sociedade passou a dar à ciência. “A solução para isso tudo com certeza virá da ciência e a sociedade já compreendeu isso”, observou. Odir lembrou que esta não é a primeira pandemia que a humanidade enfrenta e, diante disso, enfatizou: “Estamos melhores preparados do que em toda a existência da humanidade. Alguns podem pensar que devíamos ter investido mais em ciência, em saúde. Mas o que quero dizer que é que, em toda a existência da humanidade, não havia o conhecimento que nós temos hoje. Em poucos dias, conseguimos estudar o vírus, sequenciar o genoma, entender o seu mecanismo de replicação”.

É esse conhecimento adquirido que permite, hoje, manter uma expectativa de ter uma vacina para a doença em um curto espaço de tempo, como um ano e meio. Os investimentos em pesquisas por soluções já passam de 6 bilhões de dólares em diferentes países. Desse montante, cerca de 3,4 bilhões de dólares estão sendo investidos no estudo e teste de vacinas. Recentemente, a empresa norte-americana de biotecnologia Moderna anunciou ter obtido sucesso nos resultados da primeira fase de uma vacina contra a covid-19. “A ciência dá respostas e isso é muito bom. Não podemos deixar de investir, pois é através dela que vamos conseguir nos proteger melhor e também crescer e competir economicamente.”

 

Luís Lamb, secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS

 

É preciso aproximar academia e sociedade

A pandemia também impactou a percepção da sociedade sobre o que é produzido dentro das universidades. Para Lamb, a valorização do conhecimento científico pela comunidade ainda depende da ampliação do acesso das pessoas ao ensino superior. “Existe talvez uma incompreensão ou distanciamento do papel amplo que as universidades realizam. Elas não são só instituições de ensino. As universidades têm uma participação muito grande sobre o desenvolvimento econômico, elas geram produtos e inovações em seus laboratórios, e transferem conhecimento para a sociedade”, observa.

Odir reconheceu que é comum pesquisadores compartilharem conhecimento com seus pares e não atentarem ao compartilhamento com a comunidade. “Precisamos dar valor para as pessoas que, além de produzir conhecimento, atuam na divulgação da pesquisa científica e do valor do conhecimento”, afirmou, ao sugerir que as equipes de pesquisa passem a contar com jornalistas para melhorar a entrega. 

Sabine não pôde participar ao vivo, mas enviou sua contribuição por vídeo. Assim como Odir, ela avaliou que as instituições de ensino superior em geral ainda têm dificuldades para comunicar com a sociedade. “Poucas têm assessoria de comunicação e imprensa, e quando têm a utilizam de uma forma institucional e não do ponto de vista de divulgação científica. Em alguns casos, cientistas que falam com a imprensa são até mal vistos”, comentou.

 

Odir Dellagostin, diretor-presidente da Fapergs

 

Potencial a explorar

Na avaliação do secretário de Inovação, o mundo vive um momento histórico no que diz respeito à percepção dos esforços de cientistas e pesquisadores na busca por soluções para as questões que afetam a sociedade. Ele também alerta para uma oportunidade: “Eu nem digo que o maior potencial do Brasil é o recurso natural. O maior potencial do Brasil é o fato de termos mais de 200 milhões de habitantes. Um país com 200 milhões de pessoas muito bem-educadas pode produzir muito mais riqueza do que países que têm 20 ou 30 milhões”.

Para Odir, é preciso trabalhar para que a sociedade reconheça a academia como um lugar que pode contar para atender às suas demandas. “Na minha visão, o que nós precisamos são mais empresários-doutores e doutores-empresários. Estamos formando em torno de 18 mil doutores por ano, no Rio Grande do Sul. Temos um percentual muito pequeno de doutores atuando em empresas, fazendo pesquisas em empresas ou atuando como empresários. Quando tivermos isso, teremos mais pesquisas, mais conexão entre empresas e universidades e mais contratação de doutores pelo mercado”, ponderou.

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