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30/07/2021
Cidades inteligentes e os desafios da gestão urbana

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O intenso processo de urbanização tem transformado a dinâmica das cidades. O fenômeno da explosão populacional nas áreas urbanas tem trazido inúmeros desafios para a gestão pública. Tal fenômeno intensifica algumas problemáticas urbanas já existentes relacionadas a áreas como mobilidade, habitação, saúde, segurança, saneamento básico, entre outras. Neste contexto, o planejamento e gerenciamento dos serviços públicos e da infraestrutura das cidades têm se tornado um desafio cada vez maior para os gestores públicos e autoridades municipais.

Uma alternativa para auxiliar na mitigação desses problemas é o conceito de Cidades Inteligentes, que utiliza as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) como ferramentas para otimização do espaço urbano, a fim de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos ao tornar as operações urbanas mais eficientes.

Atualmente, há diversos métodos e rankings que utilizam indicadores urbanos como ferramenta de mensuração e avaliação da gestão urbana.

No Brasil, o Ranking Connected Smart Cities (RCSC) elaborado com base nos indicadores da ISO 37120 – “Desenvolvimento sustentável de comunidades — Indicadores para serviços urbanos e qualidade de vida”, e da ISO 37122 - “Cidades e comunidades Sustentáveis – Indicadores para as Cidades Inteligentes”, é divulgado anualmente, e tem o propósito de classificar as 100 cidades mais inteligentes do país. A classificação ocorre de acordo com a análise de 11 eixos principais: Mobilidade, Urbanismo, Meio Ambiente, Energia, Tecnologia e Inovação, Economia, Educação, Saúde, Segurança, Empreendedorismo e Governança, que são compostos por um total de 70 indicadores. Tais indicadores estão relacionados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, nas dimensões econômica, social e ambiental.

Atualmente, Passo Fundo ainda não aparece na classificação geral do RCSC entre as 100 cidades mais inteligentes do Brasil. No entanto, o município aparece nas classificações por eixo, figurando entre as 100 melhores cidades nos eixos de Tecnologia e Inovação (66º posição), Empreendedorismo (68º posição) e Economia (63º posição) no RCSC 2020.

Tendo em vista que os dados dos indicadores do Ranking são coletados junto aos bancos de dados abertos de cada instituição responsável pela mensuração e divulgação destas informações, como IBGE, RAIS, SNIS, Siconfi, INEP, Anprotec, Ministério da Sáude, Portal do Empreendedor, entre outras, é possível verificar a situação dos indicadores urbanos de Passo Fundo.

No eixo de Economia, por exemplo, considerando o RCSC 2020, Passo Fundo apresentou um índice de crescimento do PIB Per Capita de 6,9%, superando Florianópolis que se encontra em 2º lugar na classificação geral do Ranking e apresentou um crescimento do PIB Per Capita de 4,1%. No entanto, considerando o indicador referente ao crescimento de empresas, Passo Fundo apresentou uma retração de -2,1%, a qual também foi observada em outras cidades de médio porte da Região Sul como Blumenau-SC (-0,3%) e Itajaí-SC (-0,2%), classificadas entre as 20 primeiras do RCSC 2020.

Outro indicador relacionado ao eixo de Economia, e que relaciona o sistema econômico com o setor educacional, é o indicador de quantidade de computadores disponíveis a cada 1000 alunos. Neste indicador, Passo Fundo apresentou um índice de 64,2 computadores disponíveis por cada 1000 alunos, enquanto Florianópolis apresentou um índice de 57,8.

Em relação ao eixo de Empreendedorismo, Passo Fundo apresentou uma retração no indicador relacionado ao crescimento de empresas de tecnologia, apresentando um índice de -7,1%. Entretanto, a cidade apresenta indicadores positivos, como a força de trabalho no setor de Educação e P&D, e a implantação de pólos tecnológicos e incubadoras

No que diz respeito ao eixo de Meio Ambiente, o atendimento urbano de esgoto abrange somente 31% dos domicílios da cidade. A coleta e tratamento de esgoto é uma dificuldade de muitos municípios brasileiros, decorrente do intenso processo de urbanização no Brasil.

No entanto, o munícipio apresenta índices satisfatórios, como o atendimento urbano total no abastecimento de água, e 98,1% de cobertura de coleta de resíduos sólidos, os quais são importantes iniciativas na busca por tornar-se uma cidade mais sustentável e inteligente.

Assim, a partir da mensuração e análise dos indicadores urbanos é possível realizar um diagnóstico das cidades, visando formular estratégias mais assertivas para o planejamento e gestão urbana, possibilitando o monitoramento da infraestrutura e dos serviços públicos.

Por fim, é importante destacar que o conceito de Cidades Inteligentes busca soluções orientadas a pessoas, e prioriza a participação cidadã no processo de planejamento urbano. De modo que, independentemente do posicionamento das cidades em rankings, o importante é que a melhoria nos indicadores urbanos seja refletida na qualidade de vida dos habitantes.

 

Por: Thaísa Leal da Silva
Doutora em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela Universidade de Coimbra, mestre em Microeletrônica pela UFRGS. Pesquisadora na área de sustentabilidade, com ênfase em: cidades inteligentes, eficiência energética, mobilidade urbana, arquitetura inclusiva, e codificação de imagens e vídeos. Professora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Arquitetura em Urbanismo (PPGARQ), e dos cursos de Ciência da Computação e Arquitetura e Urbanismo da IMED.

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