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05/12/2019
Cidades inteligentes devem unir inovação e tecnologia para atender aos seus talentos, defende Josep Piqué

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Referência em transformar cidades em verdadeiros ecossistemas de inovação, o espanhol palestrou na quinta edição da FutureGov Conference, da IMED

Consultor internacional do Pacto Alegre, presidente da Associação Internacional de Parques Científicos e Áreas de Inovação (IASP) e da La Salle Technova Barcelona, o espanhol Josep Miquel Piqué ministrou a quinta e última edição da FutureGov Conference em 2019. O evento, promovido pela IMED, por meio do seu Centro de Inovação e Governança em Políticas Públicas (FutureGov), aconteceu na noite desta quarta-feira (4), no teatro do Campus Porto Alegre. Considerado um especialista em transformar cidades em verdadeiros ecossistemas de inovação, Piqué defendeu que, “na era do conhecimento, as cidades inteligentes devem ser capazes de oferecer qualidade de vida aos talentos que nela vivem”.

Na abertura do evento, uma intervenção musical, conduzida pelo MC Rafa, do grupo Rafuagi, embalou o público ao trazer a música "Cidades inteligentes", composta juntamente com o coordenador do FutureGov, Eduardo Pazinato. Em seguida, Piqué iniciou sua apresentação, fazendo questão de esclarecer que não poderia dar muitas respostas, mas traria ao público muitas interrogações. Ao longo de sua fala, detalhou o que chamou de anatomia das cidades, considerando que compreendê-la é parte do processo para acessar o futuro. “As cidades são bastante diferentes, mas também são bastante iguais e direi o porquê. Porque as cidades constituem sistemas para tentar prover o que os cidadãos precisam para viver e para trabalhar”, afirmou, ao citar os modelos de mobilidade, gestão de resíduos, água e informação.

Para ele, o mundo enfrenta uma nova era, um verdadeiro “tsunami tecnológico”. “Vivemos tempos digitais, isso quer dizer que qualquer coisa que puder estar na nuvem, estará nela. Dados, músicas, filmes... É preciso que as cidades estejam conectadas na nuvem e por que na nuvem? Porque o que não estiver na nuvem, não irá existir, não estará acessível”, afirmou apontando para o celular.

Piqué ressaltou que a transformação trazida pela tecnologia não impacta apenas o aspecto urbano, mas também a economia. Antes sustentada em grande parte por recursos naturais, ela agora muda sua estrutura, para uma economia baseada no conhecimento. Este, por sua vez, tem como base o talento, que reflete as condições sociais às quais os cidadãos estão inseridos. “Precisamos de uma universidade ativa para fortalecer a estrutura do conhecimento e, combinado a uma indústria e a um governo que crie condições de desenvolvimento, conseguiremos condições de construir smart cities”, acrescentou.

Outro elemento citado por ele como essencial às cidades inteligentes é a inovação, visto que a nova economia está vinculada aquilo que vem sendo criado dentro de startups. “Não quero ser apocalíptico, porque não sou, mas devo alertá-los que hoje temos uma extinção massiva de postos de trabalho. Tudo aquilo que é previsível e repetitivo, haverá uma máquina para fazer pelo homem. Portanto, precisamos criar condições de trabalho e novas formas de valor nas startups ou não iremos superar a substituição da força de trabalho.”

Debate

No palco, Piqué (E), Luciana, Luiz Carlos, Lauro e Villaverde

Em seguida, o evento, mediado pelo gestor do conhecimento e da inovação do FutureGov, professor e engenheiro civil, Adão Villaverde, abriu um espaço a um breve debate. A arquiteta e fundadora da Escola Livre de Arquitetura (ELA), Luciana Marson Fonseca, frisou a importância da união entre criatividade e tecnologia. “As pessoas trabalham numa divisão do que é arte e do que é tecnologia, quando na verdade uma precisa da outra. Precisamos não só da sobreposição, mas da interligação dessas duas camadas.”

Engenheiro, professor, diretor da Escola de Engenharia (UFRGS) e coordenador do Pacto Alegre, Luiz Carlos Pinto, ressaltou a preocupação com a sustentabilidade e a alta velocidade das mudanças. “As pessoas não irão escolher países para morar, irão escolher cidades. O jogo será jogado nas cidades e regras estão mudando. Com a revolução digital exponencial, tudo está mudando. Não conseguimos mais reproduzir os modelos do século 20 e estamos tendo que reinventar. A cidade inteligente é aquela sensorial, capaz de sentir o que está acontecendo”, observou.

O professor do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Arquitetura e Urbanismo (PPGARQ) da IMED, Lauro André Ribeiro, abordou a reflexão entre os modelos de gestão vertical e linear das cidades e questionou: “Será que é possível mudar a lógica de linearidade de uso das cidades? Estamos em um processo de urbanização no mundo inteiro, as cidades em si sozinhas não se sustentam, dependem de outras regiões para serem economicamente sustentáveis. Trago também o aspecto ambiental, como as cidades inteligentes poderiam um dia nos levar a ser uma cidade sustentável?”

Parceria

Ainda na abertura do evento, foi realizada a assinatura de termo de cooperação estratégica entre a IMED e a Famurs (Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul), que representa os 497 municípios gaúchos. A parceria celebra acordos de cooperação técnica e acadêmica voltados a fortalecer os projetos e atividades de ensino, pesquisa e extensão da IMED no Campus Porto Alegre. Assinaram o acordo de cooperação técnica Luciana Marson Fonseca, fundadora da ela. Escola Livre de Arquitetura e o vice-presidente da Famurs e Prefeito de Taquari, Maneco Hassen.

 

Fotos: Francine Tiecher/IMED

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