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13/05/2022
Agronomia do século XXI: o futuro está aqui

Por: Francine Tiecher

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Estar aberto às mudanças e ser amigo da tecnologia é “pulo do gato” para quem quer atuar no segmento

 

Inteligência artificial, geoprocessamento, drones, sensores, mapas digitais… A tecnologia e a agricultura de precisão estão cada vez mais integradas e se tornam indispensáveis ao dia a dia no campo. É a partir desse contexto que surgem termos como smart farm ou agricultura inteligente, conceitos que, na prática, se referem ao uso de tecnologias da informação e comunicação para o gerenciamento de sistemas produtivos, de forma a otimizar processos e ampliar a eficiência.

O “pulo do gato” para a Agronomia na atualidade está bastante relacionado ao uso das tecnologias e de que forma o setor pode produzir mais e melhor, para atender a demanda de mercado que acompanha o crescimento exponencial da população, aliado à redução de custos e de impactos ambientais.

Lado a lado a essa linha crescente de produção, profissões relacionadas ao agro, como é o caso da Agronomia, tem se tornado cada vez mais determinantes para o desenvolvimento de estratégias e metodologias ágeis para otimizar processos, redução de custos e impactos, e ainda contribuir para a oferta de produtos de qualidade, o que também influencia diretamente a saúde da população.

Agronomia 4.0 – era do arado já faz parte do passado

Segundo dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, existem hoje mais de 1 milhão de profissionais registrados e atuantes no Brasil – cerca de 66 mil deles atuam apenas no Rio Grande do Sul, sendo que entre as principais áreas de atuação destacam-se a indústria de alimentos, o ensino, a administração e engenharia rural e o segmento de agricultura e tecnologia, realidade cada vez mais presente no campo e na cidade.

“O profissional formado Bacharel em Agronomia tem um nicho de atuação bastante abrangente devido à grande pluralidade que a área oferece. A atuação pode ser direcionada em vários nichos como, por exemplo, o manejo e implantação de culturas, produção e disseminação de tecnologias no agronegócio (Agricultura digital, IOT, Big Data), pesquisa, desenvolvimento e comercialização de defensivos agrícolas e melhoramento genético, gestão de propriedades rurais, nutrição animal, máquinas e implementos agrícolas e muitas outras possibilidades distribuídas nas mais diversas áreas, tanto no meio urbano, como no meio rural. A agronomia é uma das profissões que está em constante atualização e mudança, cabe ao futuro profissional estar disposto a se manter em aprendizado continuo saindo permanentemente de sua zona de conforto”, frisa a agrônoma Francine Vogel, especialista em Produção Vegetal e mestre em Produção e Sanidade Animal, que atualmente atua junto à coordenação do curso de Agronomia da IMED.

 

A profissão está em pleno destaque, e isso se deve às inovações e tecnologias aplicadas para melhorar e facilitar o dia a dia do setor agrícola no Brasil, e no mundo.

 

O mercado absorve quem tem capacidade de se adaptar

A Agronomia nasceu quando o homem sentiu que precisava dominar técnicas para cultivar e gerar alimentos. O segmento surgiu de uma evolução do estilo de vida nômade e coletor, para o sedentarismo e plantações. Com isso, o ser humano se viu impulsionado a lapidar a arte de domesticar espécies e melhorá-las com o objetivo de obter mais produtos.

O tempo passou, técnicas e processos foram substituídos e melhorados, e novas necessidades de mercado e de produção vieram acompanhadas da evolução tecnológica. A procura por profissionais aptos e qualificados para ocupar essa lacuna também aumentou.

O diretor comercial da Climate FIELDVIEW, Everson Artur Fusinato Zin, comenta que o mercado está aquecido para profissionais que atuam no segmento do agronegócio, especialmente na Agronomia, e a busca por profissionais qualificados tem sido um dos grandes desafios para as empresas do setor.

“A maior parte das empresas tem encontrado muitas dificuldades na contratação de profissionais para suas vagas. Tem profissionais fora do mercado? Sim, mas o que se quer hoje são profissionais atualizados com o conhecimento exigido dentro e fora das fazendas, com máquinas que funcionam com computadores de bordo, análises instantâneas sobre seu funcionamento, que recebam mapas de plantio, colheita ou de aplicação de produtos em seus celulares e rapidamente possam tomar uma decisão que pode impactar em uma maior produtividade por hectare ou a redução de um custo na lavoura”.

 

Além de conhecimentos técnicos, o mercado exige hoje habilidades comportamentais que fazem a diferença na hora de ocupar um lugar de destaque no mercado de trabalho, conforme pontua Cátia Visentini, engenheira agrônoma da RTV Bayer.

“O mercado está exigindo cada vez mais profissionais que tenham em seu perfil as habilidades técnicas e comportamentais bem desenvolvidas (hard e soft skills) que vão muito além de regular um equipamento ou recomendar um produto. O agrônomo precisa saber decifrar mapas gerados por máquinas cada vez mais tecnológicas, transformar dados em informação de qualidade, trabalhar com mapas de qualquer operação, interpretar e ter uma resposta rápida quanto a sua tomada de decisão, que resulte em produtividade com maior assertividade”, ressalta a profissional.

Além disso, a capacidade de adaptação às necessidades, personalidades, gostos e objetivos de cada realidade em que o profissional está inserido também são fatores diferenciais e determinantes para o sucesso da carreira dentro do segmento do Agro, explica Cátia.

“Para que possamos auxiliar o produtor, precisamos estar em constante estudo e aprendizagem com base forte em tecnologia, interpretação e análise de dados e mapas e, por fim, assegurar uma tomada de decisão junto com o produtor. Fora da fazenda, empresas nacionais e multinacionais estão cada vez mais próximas do campo e mais atualizadas, usando uma quantidade imensa de tecnologia: mapas, sensores, gráficos e análises para poder ajudar cada produtor a produzir mais com os mesmos recursos. Isso exige do profissional estudo constante, atualização diária, rotina de leitura e de aprendizado para poder ser relevante para as empresas e para o agricultor que possui conhecimento amplo, de alta qualidade e de fácil acesso”.

 

Foco em oportunidades

Mas, e quais as oportunidades que surgem para estudantes da área, a partir deste cenário da utilização em larga escala de tecnologia? Quais as perspectivas de futuro para a profissão?

“As perspectivas e oportunidades para o futuro da profissão são excelentes, com prospecção de crescimento e ampliação do setor, com forte inclusão de novas tecnologias, facilitando e tornando os processos mais efetivos e rentáveis, fazendo com que o produtor busque cada vez mais os agrônomos para interagir com estas ferramentas, e que sejam mais adequadas para a sua realidade, maximizando a captação de dados e tornando-os informações técnicas que guiem uma tomada de decisão mais assertiva e ágil”, explica a agrônoma Francine Voguel.

A coordenadora do curso na IMED também destaca que a exigência por profissionais que tenham a técnica aliada a habilidades comportamentais é o que vai abrir portas para o futuro agrônomo.

“Hoje a perspectiva para a profissão se encaminha para um mercado cada vez mais exigente quanto a resultados e conhecimentos no ramo das tecnologias, com profissionais qualificados tanto no que diz respeito as competências técnicas (hard skills), quanto comportamentais (soft skills), sendo este último um dos principais diferenciais e pré-requisitos para quem deseja entrar no mercado de trabalho e ter uma boa performance profissional. E este é um dos grandes diferenciais ofertados pela nossa instituição”, pontua Vogel.

Para a agrônoma da RTV Bayer, ser um profissional do agro é saber que existem desafios, mas que, a partir de agora, o uso de ferramentas digitais, o uso de dados, a análise criteriosa de cada planta é o que se espera para a profissão.

Mundo de possibilidades

Confira alguns dos principais nichos de atuação do segmento e as possibilidades de atuação para quem deseja ingressar no mundo da agronomia.

- Gestão Rural: lidera pessoas e equipes, administra e faz gestão de processos e projetos para que a produção funcione adequadamente.

- Indústria de Alimentos: responsável por toda a cadeia que envolve os processos de qualidade nas indústrias, que engloba a utilização de tecnologias, consultorias e o desenvolvimento de melhorias junto às empresas e produtores, juntamente com a gestão de todos os elos.

- Vigilância Sanitária: desenvolve o trabalho de atestar a qualidade de alimentos de origem vegetal ou animal que chegam à mesa do consumidor.

- Ensino e pesquisa: compartilha conhecimento por meio das áreas acadêmica e científica, ensina, desenvolve novos mecanismos para melhorar a produção vegetal.

- Trabalho autônomo: empreende em áreas como prestação de serviços, consultorias, serviço de assistência técnica à campo, assessoria em obras e projetos, e ainda vistorias e laudos de perícias.

- Produção de biocombustíveis e biotecnologias: atua no tratamento de materiais derivados de biomassas renováveis e outros potenciais que possam gerar combustível, bem como manipular genes e realizar melhoramento de animais, vegetais e produtos, visando sempre o aumento da capacidade produtiva e a sustentabilidade. 

 

E as opções não param por aí! Escolha uma que mais tem a ver com teus sonhos e tuas potencialidades, e coloque a mão na massa.

E aí vai nossa dica de ouro: manjar de números e estatísticas, robótica e tecnologia de informação, além de desenvolver competências comportamentais como protagonismo, autonomia, colaboração e resiliência são alguns dos requisitos básicos para aqueles profissionais do agro que querem conquistar o seu lugar ao sol.

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