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04/06/2020
A humanidade em meio à pandemia

Por: Eduarda Ricci Perin

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A crise gerada pela pandemia de Covid-19 no mundo todo traz mais perguntas do que respostas. Como será o mundo após a crise? Seremos mais colaborativos e solidários? Quais serão os efeitos psicológicos que enfrentaremos a longo prazo? A pandemia tem o poder de mudar o curso da humanidade? O webinar “Humanidade em tempos de pandemia”, que faz parte de uma série de eventos online promovidos pela IMED, reuniu profissionais da Psicologia para debater essas questões na noite de quinta-feira, dia 04 de junho. 

O evento, transmitido pelo Zoom e pelo Youtube, contou com a participação de Alfredo Simonetti - psiquiatra, psicanalista e médico colaborador do instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP), Contardo Calligaris - psicanalista, ensaísta e escritor italiano, colunista da Folha de São Paulo e roteirista produtor, criador e diretor geral da série Psi, do canal HBO e Elisa Kern Castro - psicóloga, doutora em Psicologia Clínica e da Saúde e docente na Universidade Lusíada de Lisboa, Portugal. 

A mediação ficou por conta da psicóloga Dra. Júlia Schneider Protas, que é coordenadora do curso de Psicologia da IMED Porto Alegre, e da docente do curso de Psicologia da IMED Passo Fundo, Dra. Sibeli Carla Garbin Zanin. Participaram ainda do debate a coordenadora do Mestrado em Psicologia da IMED, Camila Rosa de Oliveira e a coordenadora do curso de Psicologia da IMED Passo Fundo, Josiane Razera. 


O cuidado e o medo frente à crise

Na pandemia, um sentimento que predomina, segundo o psiquiatra Alfredo Simonetti, é o cuidado. “Nesse momento crítico tem uma força de que nos move, que é o cuidado pela nossa saúde e pela saúde do outro. Quando a gente liga pra alguém, a primeira pergunta é: como você está?”, disse. 

A força do cuidado, para ele, é resultado do medo. “O medo é um alarme, um vigia, mas é um professor fraco: não ensina muita coisa. Com o medo, conseguimos enxergar o perigo, mas não aprender com ele”, destaca. 

Sobre o medo, a psicóloga Elisa Castro destaca sobre a “percepção de risco”. “O quanto eu me sinto ameaçado frente ao vírus?”, questionou. Segundo ela, estudos mostram que em meio à uma ameaça desconhecida, tendemos a minimizar ou maximizar os riscos: “Quando eu minimizo existe o risco da negligência e quando eu exagero, eu paraliso”, conta. 

Prejuízos psicológicos

O psicanalista e escritor italiano, Contardo Calligaris, destacou que a tendência é que a pandemia produza patologias como o aumento da dependência química e o crescimento da violência doméstica. “Há uma série de patologias específicas do confinamento. Ainda é cedo para falarmos, mas o que sinto é uma variante levemente deprimida, não sei se a palavra tem sentido clínico neste caso, mas a pandemia nos dá uma certa preguiça, algo que tenho dificuldade de definir”. 

Sobre as patologias do isolamento, Elisa destacou estudos que indicam que os momentos de distanciamento social trazem grandes prejuízos psicológicos a longo prazo. A psicóloga também enfatizou os grupos que precisam mais atenção neste momento: as mulheres, que somam as tarefas domésticas, da família e do trabalho, as pessoas com baixa escolaridade, que podem enfrentar dificuldade de entender o que está acontecendo, as pessoas economicamente afetadas pela crise e as crianças e adolescentes em casa que estão em casa, e tendem a se acomodar. 

Insegurança e desgoverno

Além da catástrofe causada pelo vírus, há uma verdadeira tragédia no cenário brasileiro que parece afetar a população, segundo Calligaris: o desgoverno político. “Há uma incerteza quanto à direção, há uma dificuldade de entender o que foi decidido fazer sobre a pandemia. O próprio fato de ter tamanhas contradições entre os governos faz com que a grande maioria viva um confinamento “meia boca”, deixando todo mundo se perguntando: como vai acabar?”, destaca. 

Mudanças no curso da humanidade?

Para Alfredo, Contardo e Elisa, a projeção de um mundo melhor após a pandemia é muito mais um desejo do que uma realidade. Os painelistas do webinar “Humanidade em tempos de pandemia” destacaram que a crise promove a colaboração e o cuidado, mas a pandemia ainda não tem o poder de causar uma revolução no comportamento humano. “É como um rio que segue seu curso. Mesmo que seja criada uma barreira, a própria força da água pode derrubá-la com o tempo e o rio volta a fluir em seu velho leito”, destacou o psiquiatra Alfredo Simonetti. Por outro lado, a psicóloga Elisa Castro reconhece que há uma tendência que pode ser percebida durante a pandemia de maior preocupação com as pessoas, de valorização da ciência por uma parte da população e de uma preocupação com o planeta.

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